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Itabira, 21 de setembro de 2021

A esponsalidade de Cristo nas outras cartas paulinas

01/09/2021 . Notícias da Igreja

“A união entre Cristo e a Igreja supera em muito a união conjugal em intimidade, força e duração. A união entre homem e mulher é uma imagem da união entre Cristo e a Igreja” . O amor de Cristo pela Igreja, como modelo para o amor dos esposos, é único no Novo Testamento.

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“A imagem ideal da noiva-esposa sugere a linguagem simbólica: a Igreja é uma esposa maravilhosa, cheia de brilho, sem mancha, como a noiva do Livro do Cântico dos Cânticos 4,7, uma jovem, portanto sem rugas nem defeitos.” Padre Gerson Schmidt* tem nos apresentado uma série de programas sobre a esponsalidade de Cristo com a Igreja, usando para fundamentar suas reflexões diversas passagens das Sagradas Escrituras. Nos últimos programas, o sacerdote gaúcho falou sobre a esponsalidade de Cristo nos Sinóticos, no Evangelho de São João, no Apocalipse de São João e na Carta aos Efésios. No programa de hoje, o tema é “A esponsalidade de Cristo nas outras cartas paulinas”:

“Segundo Paulo, o relacionamento entre homem e mulher, como se descreve em Gênesis, é um esboço prévio do relacionamento entre Cristo e a Igreja. Ele ampliou a imagem do Antigo Testamento do Deus-Esposo, aplicando-a a Jesus Cristo. “O projeto do amor esponsal que remonta à primeira criação é uma parábola da aliança salvífica manifestada agora na nova criação”. São João Paulo II, numa das audiências sobre a Teologia do Corpo, dizia assim: “É óbvio que a analogia do amor terrestre, humano, do marido para com a mulher, do amor humano esponsal, não pode oferecer compreensão adequada e completa daquela Realidade absolutamente transcendente, que é o mistério divino, tanto no seu ocultar-se há séculos em Deus, como na sua realização “histórica” no tempo, quando “Cristo amou a Igreja e se deu a si mesmo por ela” (Ef 5, 25)[1]. “A união entre Cristo e a Igreja supera em muito a união conjugal em intimidade, força e duração. A união entre homem e mulher é uma imagem da união entre Cristo e a Igreja”[2]. O amor de Cristo pela Igreja, como modelo para o amor dos esposos, é único no Novo Testamento.

Já comentamos aqui a esponsalidade de Cristo na carta aos Efésios. Também ela se expressa nas outras cartas, como em Colossenses 1, 22 e Gálatas 2, 20 para delinear a ideia de Cristo que se entrega pelos demais. Também, conforme a segunda carta aos Coríntios 11, 2, Paulo apresenta a imagem de Igreja como casta esposa de Cristo.

“O amor de Cristo pela Igreja se manifesta e se realiza em sua autodoação por ela. Amor e autodoação de Cristo caracterizam o processo salvífico proclamado pela fé tradicional da Igreja (cf. 5, 2). O efeito histórico desse amor pela Igreja é expresso por duas proposições: para torná-la santa… fez aparecer diante de si uma Igreja plena de esplendor…”[3]

A entrega de Cristo levou-o à morte na cruz. Em Paulo, a Igreja é apresentada como a esposa de Cristo. Cristo, por sua morte, elevou-a à dignidade de noiva e esposa (cf. Ef 5, 2; Gl 1, 4; 2, 20; 1Tm 2, 6; Tt 2,14; At 12, 28). A doação de Jesus Cristo à sua esposa no sacrifício da cruz, na ressurreição e na vinda do Espírito Santo, não foi um ato acontecido uma única vez, um ato transitório. Tal doação jamais termina, visto que seu amor jamais se cansa. Ele vive sempre para sua esposa; Ele cuida carinhosamente dela como seu próprio “eu”; Ele a alimenta com a força de sua palavra. Mas, principalmente pela sua própria carne e sangue na Eucaristia. Dando-lhe seu corpo e seu sangue, torna-se realmente um corpo com ela.

Lê-se: “… a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra…” (v. 26). Ora, esse texto torna-se fundamental para a compreensão do sacramento do batismo, onde somos purificados, santificados pela Palavra e nascemos para Cristo como um povo da Nova Aliança que se dá na Igreja, sua esposa. A terminologia mostra influência do ambiente cultural e litúrgico, com reminiscência de antigas práticas ou ritos nupciais. Em todo o caso, essas imagens tornam-se símbolo de outra coisa, no contexto parabólico, que transfigura todos os detalhes a partir de uma visão religiosa. O banho de purificação é o batismo, mediante o qual a Igreja foi não só lavada e purificada, mas também santificada, ou seja, eleita e consagrada e, portanto, escolhida como parceira da aliança com o Cristo Senhor.

A imagem ideal da noiva-esposa sugere a linguagem simbólica: a Igreja é uma esposa maravilhosa, cheia de brilho, sem mancha, como a noiva do Livro do Cântico dos Cânticos 4,7, uma jovem, portanto sem rugas nem defeitos.

Segundo Paulo, o relacionamento entre homem e mulher, como se descreve em Gênesis, é um esboço prévio do relacionamento entre Cristo e a Igreja. Ele ampliou a imagem do Antigo Testamento do Deus-Esposo, aplicando-a a Jesus Cristo. “O projeto do amor esponsal que remonta à primeira criação é uma parábola da aliança salvífica manifestada agora na nova criação”. São João Paulo II, numa das audiências sobre a Teologia do Corpo, dizia assim: “É óbvio que a analogia do amor terrestre, humano, do marido para com a mulher, do amor humano esponsal, não pode oferecer compreensão adequada e completa daquela Realidade absolutamente transcendente, que é o mistério divino, tanto no seu ocultar-se há séculos em Deus, como na sua realização “histórica” no tempo, quando “Cristo amou a Igreja e se deu a si mesmo por ela” (Ef 5, 25)[1]. “A união entre Cristo e a Igreja supera em muito a união conjugal em intimidade, força e duração. A união entre homem e mulher é uma imagem da união entre Cristo e a Igreja”[2]. O amor de Cristo pela Igreja, como modelo para o amor dos esposos, é único no Novo Testamento.

Já comentamos aqui a esponsalidade de Cristo na carta aos Efésios. Também ela se expressa nas outras cartas, como em Colossenses 1, 22 e Gálatas 2, 20 para delinear a ideia de Cristo que se entrega pelos demais. Também, conforme a segunda carta aos Coríntios 11, 2, Paulo apresenta a imagem de Igreja como casta esposa de Cristo.

“O amor de Cristo pela Igreja se manifesta e se realiza em sua autodoação por ela. Amor e autodoação de Cristo caracterizam o processo salvífico proclamado pela fé tradicional da Igreja (cf. 5, 2). O efeito histórico desse amor pela Igreja é expresso por duas proposições: para torná-la santa… fez aparecer diante de si uma Igreja plena de esplendor…”[3]

A entrega de Cristo levou-o à morte na cruz. Em Paulo, a Igreja é apresentada como a esposa de Cristo. Cristo, por sua morte, elevou-a à dignidade de noiva e esposa (cf. Ef 5, 2; Gl 1, 4; 2, 20; 1Tm 2, 6; Tt 2,14; At 12, 28). A doação de Jesus Cristo à sua esposa no sacrifício da cruz, na ressurreição e na vinda do Espírito Santo, não foi um ato acontecido uma única vez, um ato transitório. Tal doação jamais termina, visto que seu amor jamais se cansa. Ele vive sempre para sua esposa; Ele cuida carinhosamente dela como seu próprio “eu”; Ele a alimenta com a força de sua palavra. Mas, principalmente pela sua própria carne e sangue na Eucaristia. Dando-lhe seu corpo e seu sangue, torna-se realmente um corpo com ela.

Lê-se: “… a fim de purificá-la com o banho da água e santificá-la pela Palavra…” (v. 26). Ora, esse texto torna-se fundamental para a compreensão do sacramento do batismo, onde somos purificados, santificados pela Palavra e nascemos para Cristo como um povo da Nova Aliança que se dá na Igreja, sua esposa. A terminologia mostra influência do ambiente cultural e litúrgico, com reminiscência de antigas práticas ou ritos nupciais. Em todo o caso, essas imagens tornam-se símbolo de outra coisa, no contexto parabólico, que transfigura todos os detalhes a partir de uma visão religiosa. O banho de purificação é o batismo, mediante o qual a Igreja foi não só lavada e purificada, mas também santificada, ou seja, eleita e consagrada e, portanto, escolhida como parceira da aliança com o Cristo Senhor.

A imagem ideal da noiva-esposa sugere a linguagem simbólica: a Igreja é uma esposa maravilhosa, cheia de brilho, sem mancha, como a noiva do Livro do Cântico dos Cânticos 4,7, uma jovem, portanto sem rugas nem defeitos.”

*Padre Gerson Schmidt foi ordenado em 2 de janeiro de 1993, em Estrela (RS). Além da Filosofia e Teologia, também é graduado em Jornalismo e é Mestre em Comunicação pela FAMECOS/PUCRS.

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[1] JOÃO PAULO II, AUDIÊNCIA GERAL, Quarta-feira, 29 de Setembro de 1982.

[2] SCHMAUS, Michael. A fé na Igreja, Vol. IV, Petrópolis, 1983, p.62-63.

[3] R. FABRIS. As cartas de Paulo III: Tradução e comentários. São Paulo: Loyola, 1992, p. 196.

[4] A esponsabilidade de Cristo com a Igreja. Teocomunicação, Porto Alegre, v. 38, n. 160, maio/ago. 2008, P.250-251.

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano
Imagem capa: Pixabay