Palavra do Padre

Chamados à vida e à santidade

“A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel,
na experiência do amor fraterno”.
(Papa Francisco)

Amados irmãos e irmãs, alegria e paz.

Estamos no mês de agosto, o Mês Vocacional. Este ano, em específico, a inspiração principal está em sintonia com a Exortação Pós-Sinodal do Papa Francisco, a Christus Vivit, apresentada aos jovens e que traz orientações pastorais para toda a Igreja.

Com o tema “Amados e Chamados por Deus” e o lema “És precioso aos meus olhos. Eu te amo” (Is 43,1-5), o mês temático será celebrado de forma especial, em nossas comunidades eclesiais, principalmente por conta da pandemia. Em qualquer circunstância somos amados infinitamente, então o mês vocacional quer de algum modo enfatizar esta vocação: fomos chamados a amar, porque fomos antes de tudo amados por Deus.

Sabemos que toda vocação nasce do olhar amoroso com que o Senhor vem ao nosso encontro. “Mais do que uma escolha nossa, a vocação é resposta a um chamado gratuito do Senhor” (Carta aos Presbíteros, 4/VIII/2019); por isso conseguiremos descobri-la e abraçá-la, quando o nosso coração se abrir à gratidão e souber reconhecer a passagem de Deus pela nossa vida.

Quando falamos em vocação nos referimos a algo muito mais abrangente, o nosso olhar deve ir mais longe, pois ela abarca toda a nossa vida. Antes de falar como que se organiza o M~es vocacional em nossa liturgia, gostaria primeiramente falar sobre a vocação à vida e à santidade.

O primeiro deles é a vocação à vida. Todos nós vivemos porque fomos chamados à existência. Ninguém vive porque decidiu viver. Alguém nos chamou para a vida e desta forma toda vocação corresponde a uma missão. A vocação à vida exige de nós o compromisso de defendê-la e de promovê-la em toda a sua amplitude: saúde, educação, oportunidade de trabalho, enfim, tudo o que permite a uma pessoa viver de modo digno. Neste sentido o Papa Francisco na Audiência Geral do dia 11 de junho deste ano voltou a afirmar que a vida é dom de Deus. Foi esta a sua exortação: “Somos chamados à defesa e ao serviço da vida desde a concepção no ventre materno até a idade avançada, quando ela é marcada pela enfermidade e pelo sofrimento. Não é lícito destruir a vida, torná-la objeto de experimentações ou falsas concepções. Peço-lhes que rezem para que a vida humana seja sempre respeitada, testemunhando assim os valores do Evangelho, especialmente no âmbito da família”.

O segundo tipo é a vocação à santidade. São Paulo diz que a vontade de Deus é a nossa santificação (1Ts 4,3). A vocação à santidade sempre foi necessária. Nos dias de hoje, porém, ela se faz mais urgente. São João Paulo II, ao iniciar o atual milênio, propôs, como primeira tarefa dos cristãos, a busca de santidade. Para ser santo não é necessário que se faça algo extraordinário, basta viver com amor e fé as ocupações ordinárias de cada dia, não negando nossa natureza e nem muito menos fugindo de nossa realidade. É em meio aos afazeres da vida, realizações e tribulações, que nos santificamos.
No mês de agosto, se procura, em primeiro lugar, despertar a consciência vocacional, de que todos são chamados. Se todos são chamados, se procura também celebrar as diversas formas de responder ao Chamado de Deus. Por isso, a comunidade eclesial reza e agradece pela vocação sacerdotal, pela vocação à vida familiar, à vocação à vida consagrada, e a vocação a vida laical. Desta forma, se procura destacar todas as formas de se viver, em primeiro lugar a vocação batismal, configurando-a em formas específicas de consagração, ministério e serviço.

Neste mês somos chamados a uma tomada de consciência, como Igreja e como batizados, sobre a beleza do chamado e a riqueza de respostas generosas, que nos colocam no caminho da santidade.

No primeiro domingo celebra-se o ministério ordenado: a vocação à vida presbiteral. No dia 04 celebramos a memória de São João Maria Vianney, patrono dos padres, e no dia 10, festa litúrgica de São Lourenço, diácono mártir da Igreja, padroeiro dos diáconos. Estes santos foram exemplos nos ministérios que exerceram e, por isso, modelos para a vida ministerial. No segundo domingo celebra-se a vocação para a vida em família tendo como principal motivação o dia dos pais e, já alguns anos, a bela experiência da Semana Nacional da Família que, devido a pandemia do novo Coronavírus (COVID-19), este ano, limitado em ações, será celebrado de modo diferente, fazendo uso das redes sociais como temos feito para evangelizar desde o início da pandemia. No terceiro domingo celebra-se a vocação para a vida consagrada masculina e feminina tendo a festa da Assunção de Nossa Senhora, Mãe e Rainha de todas as vocações e modelo de pobreza, obediência e castidade, como motivação para viver bem esta semana. No quarto domingo celebra-se a vocação dos que colaboram nos mais diversos serviços em nossas comunidades eclesiais, ou seja, a vocação laical; de modo especial, como representando esta linda vocação, celebramos o dia dos catequistas, responsáveis pela iniciação cristã de nossas crianças e a catequização de nossos adolescentes, jovens e adultos. No ano em que o mês de agosto tem o quinto domingo, celebra-se a vocação dos catequistas separadamente, como neste ano assim faremos.

Agradeçamos sempre ao Senhor: pelo dom da vida e do ministério ordenado; pela família que nos gerou e pelo testemunho de tantas famílias; pela gratuidade do Senhor ao enriquecer a Igreja com a beleza da Vida Religiosa; e pela riqueza do testemunho e pela variedade de carismas e serviços vividos pelos leigos e leigas, na comunidade e na sociedade.

Que Nossa Senhora da Penha, nossa mãe e padroeira, modelo dos servidores do Evangelho, nos ensine sempre a dizer sim e a sermos fieis aos nossos propósitos.

Pe. Ueliton Neves da Silva
Pároco

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